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China passa a exigir registro para exportar tecnologia de IA, biomedicina e energia solar

Consulta pública vai até 15/11 e lista 40 tecnologias proibidas ou restritas. Taiwan, por sua vez, quer tornar crime o envio ilegal de chips de IA à China.

Por Redação Comex TodayPublicado 18/10/2026, 20:36
Superfície de uma célula solar de silício vista de perto, em tons de azul, com linhas condutoras prateadas

Em 30 segundos

  • Desde 16 de outubro, quem leva tecnologia chinesa de IA, biomedicina ou energia solar para fora da China precisa registrar a operação antes no Ministério do Comércio.
  • A proposta inclui 40 tecnologias no catálogo de controle (14 proibidas e 26 restritas) e recebe contribuições até 15 de novembro.
  • Painel solar pronto e uso de IA por API continuam livres: o alvo é a transferência do conhecimento, como licenças e montagem de linhas de produção.

O fato

O Ministério do Comércio da China (MOFCOM) e o Ministério da Ciência e Tecnologia publicaram em 16 de outubro o Anúncio nº 48/2026. O texto abre consulta pública para revisar o Catálogo de Tecnologias de Exportação Proibida e Restrita do país e acrescenta 40 itens: 23 de inteligência artificial, 5 de biomedicina e 12 de energia fotovoltaica. Do total, 14 ficariam proibidos e 26 dependeriam de licença.

Na inteligência artificial, a lista cobre grandes modelos, agentes, clusters de computação e tecnologias de processamento de informação. Na biomedicina, entram terapias celulares e gênicas, medicamentos de pequenos ácidos nucleicos e tecnologias ligadas a microrganismos patogênicos. No setor solar, a fabricação de polissilício, wafers e células, além dos equipamentos-chave que carregam essas tecnologias.

Enquanto o catálogo não é revisado, vale um registro temporário. Antes de exportar uma tecnologia da lista, a empresa precisa informar na plataforma do MOFCOM quem recebe, o país de destino, a tecnologia, o uso previsto e o valor da operação. A obrigação alcança também exportações que já estavam em andamento.

Pequim afirma que a revisão faz parte da gestão rotineira do comércio de tecnologia e não tem como alvo nenhum país.

Do outro lado do estreito, o ministro da Economia de Taiwan, Kung Ming-hsin, disse em entrevista publicada pela Bloomberg em 16 de outubro que a ilha vai incluir servidores de IA e os semicondutores mais avançados na lista de itens controlados da Lei de Comércio. Com isso, enviá-los à China sem licença passaria a ser crime. Não há data para a mudança. Segundo o ministro, parte das regras vai acompanhar as dos Estados Unidos, por compromisso assumido no acordo comercial entre os dois.

Por que importa

O controle chinês não recai sobre produtos prontos. Módulo fotovoltaico, inversor ou qualquer item fabricado com essas tecnologias segue fora da regra, assim como o uso de modelos de IA por API, aplicativo ou software como serviço. O que passa a ser controlado é a saída do conhecimento: licença de patente, cessão de propriedade intelectual, venda do controle de uma empresa a estrangeiros e a instalação de linhas de produção fora da China.

Para o Brasil, o ponto sensível é a indústria solar. Quem compra da China linhas de produção de células ou de polissilício, ou depende de licença de tecnologia de um parceiro chinês, passa a ter uma etapa a mais na origem. Se a proposta for aprovada como está, itens classificados como proibidos, como a produção de módulos de perovskita e de células tandem, não poderão mais sair do país.

O que fazer

  1. 1Se o pedido inclui linha de produção, equipamento-chave ou instalação técnica feita pelo fornecedor chinês, pergunte por escrito se a operação está registrada no MOFCOM.
  2. 2Deixe no contrato quem responde por atraso causado por licença de exportação de tecnologia na origem.
  3. 3Compra de módulo solar pronto não muda: a regra mira a tecnologia, não o produto.

O que se sabe — e o que ainda não

Confirmado
  • Anúncio nº 48/2026 do MOFCOM e do Ministério da Ciência e Tecnologia, publicado em 16/10/2026
  • 40 tecnologias na proposta: 23 de IA, 5 de biomedicina e 12 de energia fotovoltaica, sendo 14 proibidas e 26 restritas
  • Consulta pública aberta até 15/11/2026
  • Registro prévio obrigatório desde 16/10, inclusive para exportações já em andamento
  • Produtos fabricados com as tecnologias e acesso a IA por API ficam fora do controle
  • O ministro da Economia de Taiwan anunciou a inclusão de servidores de IA e chips avançados na lista de itens controlados
Ainda não se sabe
  • A versão final do catálogo e a data em que ela passa a valer
  • Os critérios técnicos que definem cada item da lista
  • O prazo para a China conceder licença nos casos restritos
  • Quando a mudança de Taiwan será enviada ao Legislativo e quais serão as penas

Como participar da consulta

O MOFCOM recebe contribuições até 15 de novembro pelo e-mail jinxianmulu@mofcom.gov.cn, por fax ou por carta. O assunto deve indicar que se trata da consulta pública sobre o Catálogo de Tecnologias de Exportação Proibida e Restrita, com nome, organização e contato de quem envia. Contribuições em nome de empresa precisam do carimbo oficial.

Fontes

  1. MOFCOM e Ministério da Ciência e Tecnologia da China — Anúncio nº 48/2026 (商务部 科技部公告2026年第48号) — publicada em 16/10/2026 · consultada em 18/10/2026
  2. MOFCOM — Perguntas e respostas sobre a revisão do Catálogo de Tecnologias de Exportação Proibida e Restrita · consultada em 18/10/2026
  3. Bloomberg — Taiwan to Curb AI Chip Exports to China as Part of US Trade Deal — publicada em 16/10/2026 · consultada em 18/10/2026
  4. TechNews (Taiwan) — relato da entrevista do ministro Kung Ming-hsin — publicada em 16/10/2026 · consultada em 18/10/2026
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